DESTINO #6: DOHA VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

Bom, eu deveria começar com alguma saudação árabe. Mas assim, o “Oi!” no Qatar é “مرحبا”. Eu não faço ideia de como é que se lê isso e, tentando repetir, nunca consegui chegar perto do correto… A sorte é que Doha é uma daquelas cidades absolutamente internacionais, onde TUDO está em inglês e, mesmo que falem pouco ou com uma pronúncia ruim, todos se comunicam in English (é meio que o Esperanto do mundo contemporâneo) — ou é assim ou vai ser difícil aproveitar todo o mundo de Negócios que está vindo pra cá nos próximos anos.

Sim, vindo. Doha é uma cidade em construção. O aeroporto, que será desativado e trocado por um outro extremamente luxuoso, estava com diversos grupos de trabalhadores chegando e, nos fins de tarde, é bastante comum ver vans e ônibus cheios deles voltando para suas casas. Onde quer que você olhe vai encontrar guindastes, tratores, desvios e obras — seja em qual lado da cidade estiver.

Eu, devo confessar, estava com bastante medo do que iria encontrar. Não sabia muito mais do que vemos por aí sobre a cultura islâmica, sempre com o peso dos ocidentais no ombro. Fica difícil discernir as coisas, entendê-las e até mesmo aceitá-las.

Porque é aquela coisa: a Europa, por mais NOVA que tenha sido pra mim, tem muito a ver com a minha cultura, com o que eu conheço. Um país como Qatar, que agora está se abrindo para o mundo todo, é surpresa atrás de surpresa e dá até um certo medo –  que se vai rapidinho – ao perceber que não há razão pra temer qualquer coisa por lá. Você pode sim falar com mulheres, que podem sim andar com os ombros a mostra… Cada um na sua, sem ninguém encher o saco de ninguém. Como deveria ser em todo o mundo, aliás…

Por exemplo, no FANAR — o centro cultural Islâmico do Qatar — fomos recebidos por Abdullah, que nos deu livros em inglês explicando a base do Islamismo e nos serviu um chá, enquanto falava da cidade e fazia QUESTÃO de dizer que éramos bem-vindos naquele lugar.

As mulheres usam burca lá, daquelas que mostram os olhos — a não ser que o vento não as traia, mostrando saltos ALTÍSSIMOS, leggings e maquiagens. É uma questão cultural. Os homens também usam suas túnicas brancas… Eu, minha bermuda, minha camiseta e meu chinelo estávamos bem por lá, mas éramos, CLARAMENTE, de fora. Nenhum problema quanto a isso — ainda mais dependendo de onde você estiver.

De um lado da baía, aqueles prédios enormes, cheios de vidros, lindos, iluminados e recheados de gente de todo o mundo. Construções planejadas no meio do mar e dinheiro, MUITO dinheiro. Do outro, a Doha mais real, mais árabe, que praticamente se concentra no Souq Waqif. Sabe aqueles mercados que se vê na TV, que vendem de tudo (tipo POMBAS) e a cada rua que você entra parece que está indo pra outro mundo? :D

O Souq Waqif é antigo e chegou a ficar fechado por muito tempo. No começo, os locais e beduínos se encontravam pra vender seus produtos — cabras, peixes etc; em 2006, com o início da modernização de Doha, que vai culminar com a Copa de 2022 — que eles já estão empolgadíssimos em divulgar — o mercado foi reaberto, com hotéis e várias lojas – das mais tradicionais às mais feitas “pra turista ver”, cheias de ímãs e outros souvenires, além de restaurantes e cafés. É o grande centro de Doha, onde se encontra gente de todos os lugares e culturas — e que funciona basicamente à noite. O que é ótimo, porque COMO É QUENTE aquele lugar!!!!!

Lá você encontra a Shisha, que é tipo um cigarro com sabor, ainda que sem tanto tabaco (que eu experimentei e parecia que estava tomando um chá de fumaça, mas até que era gostoso) em TODOS OS LUGARES; também encontra comidas de países da região, além das locais mesmo, como no lugar em que comi a comida árabe de verdade, com direito ao que nós chamamos de pão-sírio, assado na hora. Delicioso e muito, muito, muito barato. :D

Um ótimo lugar pra comer, sempre. Homus, te amo!

Mas é só por lá. Do outro lado da cidade foi muito difícil encontrar esse tipo de comida, que é chamada por lá de saudável, espremida entre grandes redes de fast food mundiais. Uma pena. :(

Do lado “ocidental” da cidade, porém, fica a State Grand Mosque. Visitamos no fim da tarde e, com aquela luz, aquele silêncio… Foi uma das coisas mais bonitas que vi nessa Volta ao Mundo oneworld. Dentro e fora. Novamente, estava morrendo de medo de entrar e tudo mais, mas, mais uma vez, fui muito bem recebido. É só respeitar… E, cara, não é nada difícil fazer isso.

Doha é um bom lugar pra se contemplar. Seja a skyline, com os prédios iluminados à noite; seja o céu, mais amarelado, mais embaçado, por conta da areia — que até forma uma linha no horizonte, como aquela que temos de fumaça, em dias secos em São Paulo.

Por isso mesmo aproveitamos o segundo dia por lá pra ir até o deserto. Farooq nos buscou no hotel. O tempo todo ele foi dizendo que só queria que curtíssemos a viagem e nos levou até as dunas, onde fez diversas PERIPÉCIAS. Até nos levar para a praia, sempre parando um pouco pra que pudéssemos olhar e experimentar aquela brisa e uma areia com uma temperatura muito boa, permitindo que ficasse descalço o tempo todo. O mar, o sal, as dunas se formando e deformando… Deu pra ver até a Arábia Saudita. :)

Repito, sem medo de parecer redundante, mas foi uma das coisas mais bonitas que vi em toda essa viagem — e, também, uma das experiências mais singulares de toda a minha vida! Não sei quando é que terei novamente a chance de passar um dia no deserto e terminá-lo na praia, olhando as estrelas — que só não estavam mais visíveis por conta das refinarias ali por perto, que iluminam demais.

Doha foi uma nova experiência, completamente fora de tudo o que já conheci. Mas, ao mesmo tempo, uma cidade que ainda está se construindo, que ainda está se preparando pra receber todo o mundo. Em alguns anos, será totalmente diferente do que eu vi nesses dias — e espero que o foco da região não seja só no trabalho ou religião. Talvez seja uma ótima razão pra voltar.

Isso e, é claro, o deserto do Qatar. <3

Agora quando eu chamar por vocês, vai ser de lá da nação mais populosa deste planeta – vejo vocês em Hong Kong.

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