BAGAGEM HISTÓRICA TAM

 

Quando somos crianças, alcançar as nuvens parece algo mágico, e a vontade de crescer fica ainda maior quando reconhecemos o trabalho de um comandante. Tornamos possível o que parecia loucura, e a criançada poderá sim, pilotar uma aeronave, sem que para isso seja preciso virar gente grande. No mês das crianças, a Bagagem Histórica aterrissa em Guarulhos para uma viagem inesquecível. E o sonho de voar será realizado logo no check in.

Estudamos cada detalhe das aeronaves clássicas, para criar peças iguaizinhas, mas sob medida para os pequenos. Os carrinhos tradicionais de bagagem se transformam no famoso 14-bisAmerican Flea ShipGloster “Meteor” F8 e Supermarine Spitfire MK9 que hoje só vemos em filmes antigos e desenhos animados. A frota fica disponível no Aeroporto de Guarulhos, do dia 05 ao 12 de outubro. E a vontade dos papais vai ser de virar criança novamente só para pilotar um igual. <3

As coordenadas são: Aeroporto de Guarulhos (GRU), Terminal 2, do dia 05 ao dia 12 de outubro. Mas se você quiser ver as aeronaves originais que inspiraram a frota Bagagem Histórica, além de réplicas em tamanho natural de diversos clássicos da aviação, é só passar no Museu Tam!

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DESTINO #9: SANTIAGO VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

“La Roja Mete Miedo”. Hola, Chile, que tal? Que bela maneira de nos receber, já na saída do aeroporto, depois de 16 horas de viagem, três jogadores da seleção nos avisam que eles não estão indo pro Brasil pra brincar. Porque, se depender deles, não só vai ter Copa, como a Copa já começou — no Barrio Meiggs, uma espécie de 25 de Março de Santiago, bem perto da estação Central de trens e metrô, principalmente.

Assim como na versão Paulistana, o que não falta são todos os tipos de produtos imagináveis pra se usar e fazer barulho durante o Mundial — mas, ao invés do verde e amarelo, reinam o vermelho, azul e o branco, as cores da bandeira deles.

Mas, as semelhanças com o Brasil acabam por aí.

Entre Buenos Aires e São Paulo, Santiago me pareceu a cidade que mais funciona, como um todo. É tranquila, bonita, consciente — politica, cultural e turisticamente. Por exemplo, em todas as ruas, em todos os muros, há cartazes e pichações com algum tipo de mensagem; há ruas e calçadas largas; monumentos, bandeiras, praças… Segue a coisa EUROPEIA desses países, mas você sabe que está na América do Sul pela quantidade de cachorros na rua.

E não aqueles vira-latas magrelos a que estamos acostumados. Labradores, Huskys… Vivem de boa, por aí, tranquilos. A vida é boa pra eles por lá. ;D

Além disso, todas as pessoas lá são bastante simpáticas. Sabe quando falam sobre povo hospitaleiro? Sempre que precisamos, a galera nos ajudou com boa vontade, sorriso no rosto… Não é assim tão comum ver essas coisas.

Por exemplo, o “host” do Donde Augusto, o restaurante de frutos do mar onde almoçamos, no Mercado Central. Ele me convenceu a almoçar por lá com a camisa do Corinthians pendurada na parede, mas fez questão de que fotografássemos e filmássemos tudo. Explicou com paciência cada uma das coisas, e enfim. Comi uma Centolla (ou simplesmente Caranguejo Real, GIGANTESCO!) e estava deliciosa, uma Paila Marina, prato típico do Chile, que é uma sopa cheia de frutos do mar e tomei o tal do Pisco Sour. É azedo e suave… Mas, rapaz, é forte. :D

Santiago está cercada de montanhas por todos os lados. INFELIZMENTE não foi possível ver os montes nevados com neve — ou vê-los de qualquer maneira, já que a neblina tava bem forte — mas ao subir o Cerro San Cristóbal, ver a cidade de cima e o por do sol atrás dos tais montes, essa foi, seguramente, uma das coisas mais bonitas que vi nessa Volta ao Mundo oneworld.

Lá em cima tomei o Mote con Huesillos, provavelmente a coisa mais típica que se pode beber no Chile. É tipo um chá, doce, MUITO DOCE, com pêssego desidratado e trigo. Não é muito bonito de se ver, mas pra quem gosta de coisas meladas e geladas, é uma ótima. :D

Desisti de subir até a Inmaculada Concepción, que é tipo o Cristo Redentor deles, porque a escada não era assim tão convidativa — e eu já aliviei meu carma com o Buda, em Hong Kong. Aí, com o sol já posto, fui encontrar a Valentina, que me apresentou o fortíssimo Piscola e me levou até o Liguria, um restaurante também tipicamente chileno, onde comi uma Plateada Asada al Horno e um purê “a La Chilena”, que não tem muito a ver com o que estamos acostumados aqui e… Nossa, nossa. NOSSA! Que delícia! :D

Enfim, ficamos um tempo bastante curto em Santiago, mas deu tempo de conhecer o que é preciso, inclusive uma estátua Rapa Nui direto da Ilha de Páscoa e os famosos Café con Piernas. Pretendo voltar, pra mais Piscolas, Plateadas e Centollas — e espero, quando o fizer, que o dinheiro lá tenha um pouco menos de zeros, porque é uma confusão MALUCA.

Mas valeu muito a pena. ;)

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DESTINO #8: SYDNEY VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

Back to the future… Hello there, Australia! How’s it going?

Por aqui, devo confessar, as coisas não estão lá muito bem, não. Esta é a penúltima parada da Volta ao Mundo oneworld, muito tempo longe de casa e a saudade da família e das minhas cachorras dá aquela apertada… Mas não, nem é por isso que as coisas não estão 100%, não. Até porque está faltando só um pouco pra voltar!

O problema é você, Sydney. Eu achei que ia chegar aqui, encontrar bichos bizarríssimos, comer ribs e beber refrigerante até explodir, ver a Opera House – que na minha cabeça era gigantesca, mas olha, de perto é só “normal” mesmo –, a Harbour Bridge, o aquário, coalas, cangurus… E pronto, seria mais uma cidade linda pra conta, mais uma cultura diferente e vamos para o próximo!

Mas, Sydney… Você nem tem tantas coisas assim pra ver. Os bichos ficam um pouco mais afastados e os “cartões postais” ficam bem pertinho um do outro! Só que você é uma cidade pra viver, Sydney, não pra ver. Um pouco cara, é verdade, mas a todo momento, de todo canto, você mostra a Opera, mostra a ponte e diz “bom, isso você já viu, agora vai viver!”.

E foi exatamente o que eu fiz.

Caminhei, andei de trem, fui no cinema que tem a maior tela do mundo, fui ver ornitorrinco no aquário com o Silvino, tirei selfie com um coala, virei amigo de canguru, wallabies, conheci o wombat, o TAZ!, as Três Irmãs, aprendi que os pubs são chamados de hotel e que, às vezes, você pode querer só tomar um pint num deles e ser servido por uma garçonete usando somente uma calcinha fio dental…

Fiz um tour a pé totalmente grátis pelo centro da cidade, onde aprendi um pouquinho da história da cidade e do país, vi onde gravaram “Matrix” e “Superman – O Retorno” e aprendi por que o “coat of arms” do país tem um canguru e um emu (são bípedes e não podem andar pra trás!).

Tentei encontrar a Mione em Kings Cross, estação de trem (aqui não tem metrô!) que fica bem no meio do bairro das baladas, inferninhos e coisas assim – uma espécie de Rua Augusta pra quem conhece São Paulo.

Comi torta, comi canguru (com muita dor no coração, eu confesso), comi caranguejo de casca mole, comi crocodilo, comi steak, comi pão de banana (e não cheguei nem perto de ver o tal do pão que a gente diz que é australiano). :D

Fui pra Bondi Beach, vi surfistas, ondas enormes, me molhei todo caminhando pelas pedras, fiquei com aflição da altura que estava, fiquei babando com a vista e morrendo de vontade de mergulhar na piscina meio natural, de água do mar – mas com raias para nadar como se fosse a do seu prédio…

Reencontrei a Andrea depois de QUINZE ANOS sem vê-la: ela estudou comigo no colégio, foi meu par em alguma festa junina, mas saiu ainda no primeiro colegial – ou primeiro ano do ensino médio, como é conhecido agora. Se não fossem as fotos e relatos desta Volta ao Mundo oneworld, isso jamais teria acontecido – assim como várias coisas desta visita à Austrália.

Fui fazer churrasco em Coogee Beach, que tem churrasqueiras elétricas públicas (assim como a maioria das outras praias) para que você chegue com suas carnes (ou o que for), prepare-as e passe um dia tranquilo na praia.

Conheci italianos, australianos e brasileiros. Conheci uma espécie de Europa moderna, construindo a sua própria história. Percebi tantas coisas básicas que poderiam funcionar em qualquer outro país, mas que por razões que fogem ao nosso conhecimento, não funcionam…

Sabe, Sydney… Você foi a nona cidade que conheci nesta Volta ao Mundo oneworld. Me diverti em muitas delas, aprendi muito com elas, mudei muito olhando pra elas. Todas cheias de coisas pra ver, todas cheias de coisas pra me mostrar… Mas você, linda desse jeito, resolveu me fazer viver, me fazer te aproveitar ao máximo – como todas as cidades, aliás, deveriam fazer.

O hotel, pra mim, era só uma cama. E eu sei lá se não iria curtir dormir nos seus parques – como eu fiz, aliás, num sábado de sol de manhã, só porque sim.

Eu quero voltar pra grande maioria dessas cidades que conheci para poder aproveitá-las de outra maneira, ver coisas que não consegui, mas que sei que existem… Mas pra você eu não quero voltar, simplesmente porque eu não quero sair.

Mas eu preciso, que ainda há muito pra se fazer – voltar ao passado, conhecer Santiago, dar um abraço nas minhas cachorras… Então, vamos fazer assim: reserva uma quinta-feira qualquer dessas, que eu volto. E prometo não sair tão cedo.

Pode ser?

Thanks very much. <3

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DESTINO #7: HONG KONG VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

你好! Ni Hao! Cheguei na China, rapaz. Ou, tecnicamente, numa região administrativa especial da China: Hong Kong. Tinha aquela ideia da cidade recheada de gente, bicicletas, comidas bizarras e muita, muita, MUITA luz… E bom, em parte eu tinha razão. Tirando as bicicletas – que quase não vi em lugar nenhum – e o fato de não ter encontrado nenhum inseto pra comer no meio da rua, o que eu sabia de ter visto em filmes B e o filme “Círculo de Fogo” estava lá.

Prédios gigantescos de altos recheados de morados em espaços mínimos, muita gente pra todos os lados, um cheiro de fritura que é sentido durante todo o dia, o tempo todo, e uma quase necessidade de que se anoiteça para que a cidade ganhe vida com seus neons – que inclusive fazem parte de uma campanha publicitária que pede para que as pessoas os fotografem e os publiquem em suas redes sociais com a hashtag #HKNeon. De dia é tudo bem cinza. Pela época do ano não pegamos mais do que uma hora de céu azul. Juntando isso à enorme quantidade de prédios, ruas estreitas e um pouco malucas… lembra bastante São Paulo.

Mas, apesar de minhas profecias estarem quase certas, Hong Kong me surpreendeu e foi, provavelmente, a minha maior surpresa nesta Volta ao Mundo oneWorld.

Primeiro porque, apesar de ter sido colônia britânica até 1997, o inglês é muito pouco usado. Nas estações de metrô é tudo falado em cantonês (a língua de Hong Kong), mandarim (a da China). Muitas das ruas e prédios levam nomes relacionados à era Vitoriana e outros personagens importantes da história da cidade. Mas, no geral, é muito difícil encontrar um garçom que fale a língua – ainda mais difícil alguém que o faça de boa vontade – ou até mesmo um cardápio em inglês.

Na noite em que chegamos na cidade já era tarde e tivemos que apelar para um restaurante perto do hotel, o único aberto, onde só uma pessoa falava inglês (que, por sorte, era extremamente sensacional!) e o menu era totalmente em cantonês. Foi DESESPERADOR sentar à mesa e olhar para aquele monte de desenhos (acho que entendi como se sente um analfabeto diante de um mundo de palavras) e, ainda por cima notar, desse monte de “desenhos”, que só conhecia o Frango Xadrez – informo: não tem NADA de parecido com o vendido no Brasil. Deu um pouco de medo mas consegui pedir um frango com noodles fritos e feijão preto, que em cantonês é algo parecido com “sitio kailau” e estava MARAVILHOSO! :D

Mas o que mais me surpreendeu mesmo foi o fato de que, se há um mês, quando estávamos em Buenos Aires, tivessem me dito que eu me divertiria tanto numa cidade como essa, eu provavelmente teria RIDO na cara dessa pessoa, além de lhe dar um belo PESCOTAPA. Aí teria que pedir desculpas pelo resto da minha vida. Quem diria: Hong Kong, a cidade mais legal de toda essa volta ao mundo!

Começou no nosso primeiro dia de fato na cidade, completamente zoado por conta do jetlag: tinha dormido pouco mais de 3h como se fosse de tarde (horário de Doha) no Nian Liang Garden, onde também fica o templo Chi Lin. Foi bom começar devagar –e parece que o Buddha resolveu interceder a nosso favor. À noite, depois de passear por Hong Kong e pisar na terceira calçada da fama dessa viagem, fomos até o Jockey Club – uma indicação da Trini, espanhola responsável por grande parte de toda essa diversão na cidade –, mas eu só pensava em assistir às tais corridas de cavalo e ir embora capotar na minha cama.

Qual não foi a minha surpresa ao perceber que, às quartas-feiras, o Jockey Club é mais do que um lugar onde a HIGH SOCIETY hongkonger se reúne: é onde TODO MUNDO se reúne. Ninguém está nem aí pras corridas, que acontecem de 20 em 20 minutos. O pessoal se espalha fora das arquibancadas, come hot dogs e bebe jarras gigantescas de cervejas (que, na teoria, devem ser divididas entre vários amigos). O pessoal conversa, se conhece… ENFIM: em Hong Kong, Jockey Club é um lugar pra socializar. QUEM DIRIA?!

Expulsos pela polícia – pelo simples fato de que já tinham apagado as luzes mas ainda estávamos lá, calma! –, resolvemos continuar as conversas na Lockhart Road, cheia de bares e algumas baladas. Já desencanado de dormir, e resolvendo aproveitar de uma vez por todas, fui levado até Lan Kwai Fong. Muita gente na rua, música alta pra todos os lados… Era véspera de feriado, então todo mundo só pensava em aproveitar. MAS, naquele dia, o cansaço era muito grande e acabamos resolvendo esperar por algum táxi que pudesse nos levar até o hotel para, enfim, descansarmos.

Mas não para por aí! Calma. :D

O dia seguinte começou, claro, umas 16h30. Um descanso merecido e uma ideia que fazia bastante sentido já que, como disse, Hong Kong é mais bonita à noite. Comemos no Din Tai Fung, um restaurante especializado em dumplings e o que eles chamam de “comidas pequenas”. Se fosse na Espanha, seriam tapas; no Brasil, beliscos. Sabe? Enfim, anote esse nome porque é impressionante o como é bom: TUDO. Até o atendimento, em inglês. ;D

Devidamente alimentados, hora de subir de novo: dessa vez para o Victoria Peak. Há muitas coisas pra se fazer lá, mas nós fomos direto ao mirante pra ver a cidade toda iluminada – e linda – de cima. O vento não ajudou muito no clima, mas é uma daquelas coisas que você TEM de fazer, sabe? :)

A noite terminou no The Upper House, um bar/restaurante /biblioteca (!!!!) que fica no 49º andar de um prédio comercial no centro de Hong Kong. Quem nos levou até lá foi o Kurt, um hongkonger sensacional que conhecemos e que deu diversas dicas sobre a cidade, além de explicar muito sobre a língua, os “desenhinhos” (ideogramas), como se diz “oi” e “tchau”. Lá é um lugar lindo e que pouca gente conhece. Valeu, Kurt! :D

No dia seguinte fui dar um “oi” para o Tian Tan Buddha logo cedo. Depois de 40 minutos de ônibus morro acima, subi uma escada na qual cada degrau me dizia, bem baixinho no ouvido, que queria destruir meus joelhos; mas, novamente, o Cara parece que resolveu interceder por nós. Descobrimos que, com o equivalente a US$ 8, conseguiríamos não pegar uma fila de mais de uma hora do teleférico para descer e ainda teríamos o chão de vidro pra olhar tudo melhor e mais bonito. Comi um espeto de porpeta de Chocos (uma espécie de Lula), tirei uma foto com uma sul-africana que achou legal eu fazer caretas pra fotos, conheci o Temple Street Market (a versão LIVE ACTION do site DealExtreme) e lá fomos de volta pra Lan Kwai Fong.

Dessa vez, num anfiteatro. “Oi?”. Sim, exatamente. Ao final de uma rua, um lugar com arquibancadas é chamado de anfiteatro por todos que lá frequentam. Todo mundo senta lá, bebe, come… E, dependendo da nacionalidade, se prepara para o que está por vir. Alguns se contentavam em estar lá e ir embora depois; acompanhado de vários espanhóis, era só o começo. De lá, seguimos para o meio da rua, onde comecei a perceber o quão legal era aquele lugar: as baladas colocam o som pra fora, de modo que a pista é o asfalto e você desce ou sobe a rua atrás do que mais te apetece. Se quiser entrar de graça, não tem problema. Se não, vai ali numa 7-Eleven (elas existem AOS MONTES em Hong Kong!), compra o que quiser e se diverte.

E foi o que eu fiz por duas noites seguidas com, além de espanhóis, franceses, coreanos, noruegueses e até mesmo um sueco muito famoso – ou alguém parecido com ele. ;D

Em resumo: Lan Kwai Fong é o lugar pra se ir em Hong Kong. Sem se preocupar com que roupa vestir ou o quanto vai gastar de ~consuma~. Você conhece gente de TODO O MUNDO, dá risadas, bebe umas coisas nunca antes imaginadas e… Enfim. Uma cultura totalmente diferente de tudo o que eu conheci, meio que baseado na necessidade. Com tanto gringo por lá trabalhando e com os chineses sendo tão fechados, era necessário que alguma coisa assim acontecesse. E é sensacional. :)

Em Hong Kong, também aproveitei pra conhecer o Museu de História, que conta como Hong Kong surgiu, desde o início dos tempos até os dias de hoje; conheci um daqueles mercados em que vendem peixes e outros animais vivos; comi carne de pato e me despedi da cidade com uma garotinha envergonhadíssima, no metrô. Seu avô queria que ela me dissesse “Ni Hao”, mas ela só se escondia. Ele ria, adorando ver aquilo, feliz de estar com aquela criança.

Foram poucos minutos, mas um daqueles momentos inesquecíveis. Eu já fui aquela criança. Até hoje sou um pouco tímido, querendo me esconder na hipótese de qualquer contato social. Mas, bem ali na terra dela, me diverti e conheci um monte de gente… Tô falando que tô mudando! Será que é culpa da virada dos 30 anos ou um resultado dessa Volta ao Mundo me fazendo passar, em tão pouco tempo, por tantas culturas diferentes?! Certamente, daqui a um tempo, eu que darei risada da minha neta se escondendo enquanto peço pra ela dizer “oi” para as pessoas. :)

唔該, Hong Kong! Até outro dia. ;)

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DESTINO #6: DOHA VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

Bom, eu deveria começar com alguma saudação árabe. Mas assim, o “Oi!” no Qatar é “مرحبا”. Eu não faço ideia de como é que se lê isso e, tentando repetir, nunca consegui chegar perto do correto… A sorte é que Doha é uma daquelas cidades absolutamente internacionais, onde TUDO está em inglês e, mesmo que falem pouco ou com uma pronúncia ruim, todos se comunicam in English (é meio que o Esperanto do mundo contemporâneo) — ou é assim ou vai ser difícil aproveitar todo o mundo de Negócios que está vindo pra cá nos próximos anos.

Sim, vindo. Doha é uma cidade em construção. O aeroporto, que será desativado e trocado por um outro extremamente luxuoso, estava com diversos grupos de trabalhadores chegando e, nos fins de tarde, é bastante comum ver vans e ônibus cheios deles voltando para suas casas. Onde quer que você olhe vai encontrar guindastes, tratores, desvios e obras — seja em qual lado da cidade estiver.

Eu, devo confessar, estava com bastante medo do que iria encontrar. Não sabia muito mais do que vemos por aí sobre a cultura islâmica, sempre com o peso dos ocidentais no ombro. Fica difícil discernir as coisas, entendê-las e até mesmo aceitá-las.

Porque é aquela coisa: a Europa, por mais NOVA que tenha sido pra mim, tem muito a ver com a minha cultura, com o que eu conheço. Um país como Qatar, que agora está se abrindo para o mundo todo, é surpresa atrás de surpresa e dá até um certo medo –  que se vai rapidinho – ao perceber que não há razão pra temer qualquer coisa por lá. Você pode sim falar com mulheres, que podem sim andar com os ombros a mostra… Cada um na sua, sem ninguém encher o saco de ninguém. Como deveria ser em todo o mundo, aliás…

Por exemplo, no FANAR — o centro cultural Islâmico do Qatar — fomos recebidos por Abdullah, que nos deu livros em inglês explicando a base do Islamismo e nos serviu um chá, enquanto falava da cidade e fazia QUESTÃO de dizer que éramos bem-vindos naquele lugar.

As mulheres usam burca lá, daquelas que mostram os olhos — a não ser que o vento não as traia, mostrando saltos ALTÍSSIMOS, leggings e maquiagens. É uma questão cultural. Os homens também usam suas túnicas brancas… Eu, minha bermuda, minha camiseta e meu chinelo estávamos bem por lá, mas éramos, CLARAMENTE, de fora. Nenhum problema quanto a isso — ainda mais dependendo de onde você estiver.

De um lado da baía, aqueles prédios enormes, cheios de vidros, lindos, iluminados e recheados de gente de todo o mundo. Construções planejadas no meio do mar e dinheiro, MUITO dinheiro. Do outro, a Doha mais real, mais árabe, que praticamente se concentra no Souq Waqif. Sabe aqueles mercados que se vê na TV, que vendem de tudo (tipo POMBAS) e a cada rua que você entra parece que está indo pra outro mundo? :D

O Souq Waqif é antigo e chegou a ficar fechado por muito tempo. No começo, os locais e beduínos se encontravam pra vender seus produtos — cabras, peixes etc; em 2006, com o início da modernização de Doha, que vai culminar com a Copa de 2022 — que eles já estão empolgadíssimos em divulgar — o mercado foi reaberto, com hotéis e várias lojas – das mais tradicionais às mais feitas “pra turista ver”, cheias de ímãs e outros souvenires, além de restaurantes e cafés. É o grande centro de Doha, onde se encontra gente de todos os lugares e culturas — e que funciona basicamente à noite. O que é ótimo, porque COMO É QUENTE aquele lugar!!!!!

Lá você encontra a Shisha, que é tipo um cigarro com sabor, ainda que sem tanto tabaco (que eu experimentei e parecia que estava tomando um chá de fumaça, mas até que era gostoso) em TODOS OS LUGARES; também encontra comidas de países da região, além das locais mesmo, como no lugar em que comi a comida árabe de verdade, com direito ao que nós chamamos de pão-sírio, assado na hora. Delicioso e muito, muito, muito barato. :D

Um ótimo lugar pra comer, sempre. Homus, te amo!

Mas é só por lá. Do outro lado da cidade foi muito difícil encontrar esse tipo de comida, que é chamada por lá de saudável, espremida entre grandes redes de fast food mundiais. Uma pena. :(

Do lado “ocidental” da cidade, porém, fica a State Grand Mosque. Visitamos no fim da tarde e, com aquela luz, aquele silêncio… Foi uma das coisas mais bonitas que vi nessa Volta ao Mundo oneworld. Dentro e fora. Novamente, estava morrendo de medo de entrar e tudo mais, mas, mais uma vez, fui muito bem recebido. É só respeitar… E, cara, não é nada difícil fazer isso.

Doha é um bom lugar pra se contemplar. Seja a skyline, com os prédios iluminados à noite; seja o céu, mais amarelado, mais embaçado, por conta da areia — que até forma uma linha no horizonte, como aquela que temos de fumaça, em dias secos em São Paulo.

Por isso mesmo aproveitamos o segundo dia por lá pra ir até o deserto. Farooq nos buscou no hotel. O tempo todo ele foi dizendo que só queria que curtíssemos a viagem e nos levou até as dunas, onde fez diversas PERIPÉCIAS. Até nos levar para a praia, sempre parando um pouco pra que pudéssemos olhar e experimentar aquela brisa e uma areia com uma temperatura muito boa, permitindo que ficasse descalço o tempo todo. O mar, o sal, as dunas se formando e deformando… Deu pra ver até a Arábia Saudita. :)

Repito, sem medo de parecer redundante, mas foi uma das coisas mais bonitas que vi em toda essa viagem — e, também, uma das experiências mais singulares de toda a minha vida! Não sei quando é que terei novamente a chance de passar um dia no deserto e terminá-lo na praia, olhando as estrelas — que só não estavam mais visíveis por conta das refinarias ali por perto, que iluminam demais.

Doha foi uma nova experiência, completamente fora de tudo o que já conheci. Mas, ao mesmo tempo, uma cidade que ainda está se construindo, que ainda está se preparando pra receber todo o mundo. Em alguns anos, será totalmente diferente do que eu vi nesses dias — e espero que o foco da região não seja só no trabalho ou religião. Talvez seja uma ótima razão pra voltar.

Isso e, é claro, o deserto do Qatar. <3

Agora quando eu chamar por vocês, vai ser de lá da nação mais populosa deste planeta – vejo vocês em Hong Kong.

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