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DESTINO #4: BERLIM VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

por: Thiago Borbolla

Hallo! Mas que língua difícil tem esse país! Me pareceu inteligente na hora de formar palavras, mas é pra deixar a cabeça doendo quando a gente vai tentar entender ou falar. A sorte é que, pelo menos em Berlim, todos falam inglês.

Quer dizer, não todos faaaalam inglês, mas todos entendem o NECESSÁRIO. E se começar com “Hallo”, que é o “oi” deles, e terminar com “Danke”, o “obrigado”, já demonstra que pelo menos você se preocupa com isso. Porque uma das coisas que mais gosto de fazer quando viajo (e já falei isso aqui), é entrar de cabeça na cultura local – é claro que a língua faz parte disso.

Sabendo começar e terminar uma conversa pelo menos, você já faz com que os ‘berliners’ sejam um pouco mais simpáticos com você. Não que não sejam normalmente, mas… Sabe? Um vendedor de milk shakes, no parque montado atrás dos Portões de Brandenburgo, até ensinou a dizer que tava gostoso… Mas eu não consigo lembrar. Como disse: QUE LÍNGUA DIFÍCIL!!!!

Além de como se comunicar e conseguir ao máximo enxergar aquele lugar como um morador local enxerga, a comida talvez seja a maior UNIDADE cultural dos lugares. Na Argentina é o churrasco (com destaque pra Pizza!), nos EUA é o hambúrguer, na Espanha são as “tapas” e na Alemanha é o famooooso salsichão. Na realidade, eles são muito de carne de porco em geral, inclusive o joelho do bicho, mas o tal salsichão, servido de diversas maneiras… Que delícia que é aquilo.

Numa feira, perto de Alexanderplatz, experimentei o hot-dog deles – que é com um pão mais crocante e uma salsicha que caberia em mais outros dois pães, delicioso; no jantar, naquele mesmo dia, mas num bar do centro, experimentei o famoso Currywurst, que é um salsichão com molho curry e batatas fritas. Mas não as batatas que você tá acostumado. Essas são AS batatas fritas. :D

O joelho de porco ficou pra quando eu voltar, mas não foi a última coisa do bicho que comi. No dia seguinte, a Renata, brasileira que mora em Berlim já há algum tempo, me levou no Markthalle Neun, que fica em Kreuzberg, um bairro que está se tornando o ~POINT DA JUVENTUDE~ (e eu ao escrever isso perdi oficialmente o direito de frequentar).

É um lugar muito legal, que quase só moradores da região conhecem e frequentam. E é mais ou menos como um Mercadão ou uma enorme praça de alimentação – o que, aliás, quase todos os restaurantes de Berlim são (mas sobre isso falo depois) – no qual você pode comprar cerveja num canto (e levar o copo por €1, ou devolver e receber esse valor de volta), um doce em outro e, o que eu fiz, um lanche de carne de porco desfiada com rúcula. Rapaz… :D

Depois a Renata me levou até o Spreepark, que fica dentro de um outro parque, o Treptower Park. O Spreepark é um parque de diversões aberto nos anos 60 que recebia muitos visitantes; mas com a unificação das Alemanhas acabou ficando esquecido, esquecido… Até que foi fechado. Como há uma “lei” que impõe que até 2061, naquele lugar, só pode existir parques (não há a opção de construir um prédio, um shopping, ou sei lá), os donos simplesmente abandonaram do jeito que está.

O mato tomou conta, o tempo fez o seu trabalho… E o Spreepark é um lugar bizarramente bonito. Hoje em dia eles exploram com um trenzinho, que dá uma volta por todo o parque, custando €2, e alguns bares e até uma área com coisas pra crianças. Mas não é sempre que está aberto, e especialmente no frio, o lugar ganha ares assustadores, com tanto silêncio e barulhos que o vento faz. “Vento”… :D

O Spreepark também é um sinal do que é Berlim. Um enorme resumo. Uma cidade que foi o centro de tanta coisa ruim, mas que faz questão de esfregar na própria cara esse passado pra poder seguir em frente. Por exemplo: há o Topography of Terror, um museu a céu aberto num lugar que junta um pedaço do Muro de Berlim praticamente intacto e bunkers usados pela Gestapo pra contar toda a história – e o Terror – do Partido Nazista, o período em que Hitler esteve no poder, a Guerra e a separação da cidade e do país. É muito, muito triste. Ao mesmo tempo é lindo ver como eles fazem questão de não esquecer nada pra se tornar um povo melhor.

E isso está em cada ponto. O senso de comunidade é MUITO forte na cidade. De comunidade e liberdade. O metrô, por exemplo, não tem catracas – e todos compram seus ingressos normal e honestamente; não há escadas rolantes e nem nada que te faça ficar parado; não há um horário limite para as coisas terminarem – há festas começando às 5h da manhã; pessoal pode comprar cerveja no metrô e beber pela rua, como se fosse um copo d’água.

Nos restaurantes geralmente existem mesas e bancos enormes, pra todo mundo sentar junto (e, se quiser, conhecer pessoas de todos os lugares do mundo); nada por lá é muito caro… E por aí vai. Os exemplos estão em todos os lados. A cidade não esconde aquilo de ruim pelo que passou e enfrenta isso de cabeça erguida.

Se Madrid me surpreendeu por ser um mundo completamente novo, Berlim se mostrou o mundo IDEAL. Eu não sei como é o país politicamente, e nem é o que me interessa agora. Mas Berlim me fez enxergar coisas que eu jamais pensava que existiriam.

Essa cidade mudou e agora está me fazendo repensar muito da minha vida.

Vielen danke, Berlin.

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