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DESTINO #7: HONG KONG VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

你好! Ni Hao! Cheguei na China, rapaz. Ou, tecnicamente, numa região administrativa especial da China: Hong Kong. Tinha aquela ideia da cidade recheada de gente, bicicletas, comidas bizarras e muita, muita, MUITA luz… E bom, em parte eu tinha razão. Tirando as bicicletas – que quase não vi em lugar nenhum – e o fato de não ter encontrado nenhum inseto pra comer no meio da rua, o que eu sabia de ter visto em filmes B e o filme “Círculo de Fogo” estava lá.

Prédios gigantescos de altos recheados de morados em espaços mínimos, muita gente pra todos os lados, um cheiro de fritura que é sentido durante todo o dia, o tempo todo, e uma quase necessidade de que se anoiteça para que a cidade ganhe vida com seus neons – que inclusive fazem parte de uma campanha publicitária que pede para que as pessoas os fotografem e os publiquem em suas redes sociais com a hashtag #HKNeon. De dia é tudo bem cinza. Pela época do ano não pegamos mais do que uma hora de céu azul. Juntando isso à enorme quantidade de prédios, ruas estreitas e um pouco malucas… lembra bastante São Paulo.

Mas, apesar de minhas profecias estarem quase certas, Hong Kong me surpreendeu e foi, provavelmente, a minha maior surpresa nesta Volta ao Mundo oneWorld.

Primeiro porque, apesar de ter sido colônia britânica até 1997, o inglês é muito pouco usado. Nas estações de metrô é tudo falado em cantonês (a língua de Hong Kong), mandarim (a da China). Muitas das ruas e prédios levam nomes relacionados à era Vitoriana e outros personagens importantes da história da cidade. Mas, no geral, é muito difícil encontrar um garçom que fale a língua – ainda mais difícil alguém que o faça de boa vontade – ou até mesmo um cardápio em inglês.

Na noite em que chegamos na cidade já era tarde e tivemos que apelar para um restaurante perto do hotel, o único aberto, onde só uma pessoa falava inglês (que, por sorte, era extremamente sensacional!) e o menu era totalmente em cantonês. Foi DESESPERADOR sentar à mesa e olhar para aquele monte de desenhos (acho que entendi como se sente um analfabeto diante de um mundo de palavras) e, ainda por cima notar, desse monte de “desenhos”, que só conhecia o Frango Xadrez – informo: não tem NADA de parecido com o vendido no Brasil. Deu um pouco de medo mas consegui pedir um frango com noodles fritos e feijão preto, que em cantonês é algo parecido com “sitio kailau” e estava MARAVILHOSO! :D

Mas o que mais me surpreendeu mesmo foi o fato de que, se há um mês, quando estávamos em Buenos Aires, tivessem me dito que eu me divertiria tanto numa cidade como essa, eu provavelmente teria RIDO na cara dessa pessoa, além de lhe dar um belo PESCOTAPA. Aí teria que pedir desculpas pelo resto da minha vida. Quem diria: Hong Kong, a cidade mais legal de toda essa volta ao mundo!

Começou no nosso primeiro dia de fato na cidade, completamente zoado por conta do jetlag: tinha dormido pouco mais de 3h como se fosse de tarde (horário de Doha) no Nian Liang Garden, onde também fica o templo Chi Lin. Foi bom começar devagar –e parece que o Buddha resolveu interceder a nosso favor. À noite, depois de passear por Hong Kong e pisar na terceira calçada da fama dessa viagem, fomos até o Jockey Club – uma indicação da Trini, espanhola responsável por grande parte de toda essa diversão na cidade –, mas eu só pensava em assistir às tais corridas de cavalo e ir embora capotar na minha cama.

Qual não foi a minha surpresa ao perceber que, às quartas-feiras, o Jockey Club é mais do que um lugar onde a HIGH SOCIETY hongkonger se reúne: é onde TODO MUNDO se reúne. Ninguém está nem aí pras corridas, que acontecem de 20 em 20 minutos. O pessoal se espalha fora das arquibancadas, come hot dogs e bebe jarras gigantescas de cervejas (que, na teoria, devem ser divididas entre vários amigos). O pessoal conversa, se conhece… ENFIM: em Hong Kong, Jockey Club é um lugar pra socializar. QUEM DIRIA?!

Expulsos pela polícia – pelo simples fato de que já tinham apagado as luzes mas ainda estávamos lá, calma! –, resolvemos continuar as conversas na Lockhart Road, cheia de bares e algumas baladas. Já desencanado de dormir, e resolvendo aproveitar de uma vez por todas, fui levado até Lan Kwai Fong. Muita gente na rua, música alta pra todos os lados… Era véspera de feriado, então todo mundo só pensava em aproveitar. MAS, naquele dia, o cansaço era muito grande e acabamos resolvendo esperar por algum táxi que pudesse nos levar até o hotel para, enfim, descansarmos.

Mas não para por aí! Calma. :D

O dia seguinte começou, claro, umas 16h30. Um descanso merecido e uma ideia que fazia bastante sentido já que, como disse, Hong Kong é mais bonita à noite. Comemos no Din Tai Fung, um restaurante especializado em dumplings e o que eles chamam de “comidas pequenas”. Se fosse na Espanha, seriam tapas; no Brasil, beliscos. Sabe? Enfim, anote esse nome porque é impressionante o como é bom: TUDO. Até o atendimento, em inglês. ;D

Devidamente alimentados, hora de subir de novo: dessa vez para o Victoria Peak. Há muitas coisas pra se fazer lá, mas nós fomos direto ao mirante pra ver a cidade toda iluminada – e linda – de cima. O vento não ajudou muito no clima, mas é uma daquelas coisas que você TEM de fazer, sabe? :)

A noite terminou no The Upper House, um bar/restaurante /biblioteca (!!!!) que fica no 49º andar de um prédio comercial no centro de Hong Kong. Quem nos levou até lá foi o Kurt, um hongkonger sensacional que conhecemos e que deu diversas dicas sobre a cidade, além de explicar muito sobre a língua, os “desenhinhos” (ideogramas), como se diz “oi” e “tchau”. Lá é um lugar lindo e que pouca gente conhece. Valeu, Kurt! :D

No dia seguinte fui dar um “oi” para o Tian Tan Buddha logo cedo. Depois de 40 minutos de ônibus morro acima, subi uma escada na qual cada degrau me dizia, bem baixinho no ouvido, que queria destruir meus joelhos; mas, novamente, o Cara parece que resolveu interceder por nós. Descobrimos que, com o equivalente a US$ 8, conseguiríamos não pegar uma fila de mais de uma hora do teleférico para descer e ainda teríamos o chão de vidro pra olhar tudo melhor e mais bonito. Comi um espeto de porpeta de Chocos (uma espécie de Lula), tirei uma foto com uma sul-africana que achou legal eu fazer caretas pra fotos, conheci o Temple Street Market (a versão LIVE ACTION do site DealExtreme) e lá fomos de volta pra Lan Kwai Fong.

Dessa vez, num anfiteatro. “Oi?”. Sim, exatamente. Ao final de uma rua, um lugar com arquibancadas é chamado de anfiteatro por todos que lá frequentam. Todo mundo senta lá, bebe, come… E, dependendo da nacionalidade, se prepara para o que está por vir. Alguns se contentavam em estar lá e ir embora depois; acompanhado de vários espanhóis, era só o começo. De lá, seguimos para o meio da rua, onde comecei a perceber o quão legal era aquele lugar: as baladas colocam o som pra fora, de modo que a pista é o asfalto e você desce ou sobe a rua atrás do que mais te apetece. Se quiser entrar de graça, não tem problema. Se não, vai ali numa 7-Eleven (elas existem AOS MONTES em Hong Kong!), compra o que quiser e se diverte.

E foi o que eu fiz por duas noites seguidas com, além de espanhóis, franceses, coreanos, noruegueses e até mesmo um sueco muito famoso – ou alguém parecido com ele. ;D

Em resumo: Lan Kwai Fong é o lugar pra se ir em Hong Kong. Sem se preocupar com que roupa vestir ou o quanto vai gastar de ~consuma~. Você conhece gente de TODO O MUNDO, dá risadas, bebe umas coisas nunca antes imaginadas e… Enfim. Uma cultura totalmente diferente de tudo o que eu conheci, meio que baseado na necessidade. Com tanto gringo por lá trabalhando e com os chineses sendo tão fechados, era necessário que alguma coisa assim acontecesse. E é sensacional. :)

Em Hong Kong, também aproveitei pra conhecer o Museu de História, que conta como Hong Kong surgiu, desde o início dos tempos até os dias de hoje; conheci um daqueles mercados em que vendem peixes e outros animais vivos; comi carne de pato e me despedi da cidade com uma garotinha envergonhadíssima, no metrô. Seu avô queria que ela me dissesse “Ni Hao”, mas ela só se escondia. Ele ria, adorando ver aquilo, feliz de estar com aquela criança.

Foram poucos minutos, mas um daqueles momentos inesquecíveis. Eu já fui aquela criança. Até hoje sou um pouco tímido, querendo me esconder na hipótese de qualquer contato social. Mas, bem ali na terra dela, me diverti e conheci um monte de gente… Tô falando que tô mudando! Será que é culpa da virada dos 30 anos ou um resultado dessa Volta ao Mundo me fazendo passar, em tão pouco tempo, por tantas culturas diferentes?! Certamente, daqui a um tempo, eu que darei risada da minha neta se escondendo enquanto peço pra ela dizer “oi” para as pessoas. :)

唔該, Hong Kong! Até outro dia. ;)

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