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DESTINO #7: HONG KONG VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

你好! Ni Hao! Cheguei na China, rapaz. Ou, tecnicamente, numa região administrativa especial da China: Hong Kong. Tinha aquela ideia da cidade recheada de gente, bicicletas, comidas bizarras e muita, muita, MUITA luz… E bom, em parte eu tinha razão. Tirando as bicicletas – que quase não vi em lugar nenhum – e o fato de não ter encontrado nenhum inseto pra comer no meio da rua, o que eu sabia de ter visto em filmes B e o filme “Círculo de Fogo” estava lá.

Prédios gigantescos de altos recheados de morados em espaços mínimos, muita gente pra todos os lados, um cheiro de fritura que é sentido durante todo o dia, o tempo todo, e uma quase necessidade de que se anoiteça para que a cidade ganhe vida com seus neons – que inclusive fazem parte de uma campanha publicitária que pede para que as pessoas os fotografem e os publiquem em suas redes sociais com a hashtag #HKNeon. De dia é tudo bem cinza. Pela época do ano não pegamos mais do que uma hora de céu azul. Juntando isso à enorme quantidade de prédios, ruas estreitas e um pouco malucas… lembra bastante São Paulo.

Mas, apesar de minhas profecias estarem quase certas, Hong Kong me surpreendeu e foi, provavelmente, a minha maior surpresa nesta Volta ao Mundo oneWorld.

Primeiro porque, apesar de ter sido colônia britânica até 1997, o inglês é muito pouco usado. Nas estações de metrô é tudo falado em cantonês (a língua de Hong Kong), mandarim (a da China). Muitas das ruas e prédios levam nomes relacionados à era Vitoriana e outros personagens importantes da história da cidade. Mas, no geral, é muito difícil encontrar um garçom que fale a língua – ainda mais difícil alguém que o faça de boa vontade – ou até mesmo um cardápio em inglês.

Na noite em que chegamos na cidade já era tarde e tivemos que apelar para um restaurante perto do hotel, o único aberto, onde só uma pessoa falava inglês (que, por sorte, era extremamente sensacional!) e o menu era totalmente em cantonês. Foi DESESPERADOR sentar à mesa e olhar para aquele monte de desenhos (acho que entendi como se sente um analfabeto diante de um mundo de palavras) e, ainda por cima notar, desse monte de “desenhos”, que só conhecia o Frango Xadrez – informo: não tem NADA de parecido com o vendido no Brasil. Deu um pouco de medo mas consegui pedir um frango com noodles fritos e feijão preto, que em cantonês é algo parecido com “sitio kailau” e estava MARAVILHOSO! :D

Mas o que mais me surpreendeu mesmo foi o fato de que, se há um mês, quando estávamos em Buenos Aires, tivessem me dito que eu me divertiria tanto numa cidade como essa, eu provavelmente teria RIDO na cara dessa pessoa, além de lhe dar um belo PESCOTAPA. Aí teria que pedir desculpas pelo resto da minha vida. Quem diria: Hong Kong, a cidade mais legal de toda essa volta ao mundo!

Começou no nosso primeiro dia de fato na cidade, completamente zoado por conta do jetlag: tinha dormido pouco mais de 3h como se fosse de tarde (horário de Doha) no Nian Liang Garden, onde também fica o templo Chi Lin. Foi bom começar devagar –e parece que o Buddha resolveu interceder a nosso favor. À noite, depois de passear por Hong Kong e pisar na terceira calçada da fama dessa viagem, fomos até o Jockey Club – uma indicação da Trini, espanhola responsável por grande parte de toda essa diversão na cidade –, mas eu só pensava em assistir às tais corridas de cavalo e ir embora capotar na minha cama.

Qual não foi a minha surpresa ao perceber que, às quartas-feiras, o Jockey Club é mais do que um lugar onde a HIGH SOCIETY hongkonger se reúne: é onde TODO MUNDO se reúne. Ninguém está nem aí pras corridas, que acontecem de 20 em 20 minutos. O pessoal se espalha fora das arquibancadas, come hot dogs e bebe jarras gigantescas de cervejas (que, na teoria, devem ser divididas entre vários amigos). O pessoal conversa, se conhece… ENFIM: em Hong Kong, Jockey Club é um lugar pra socializar. QUEM DIRIA?!

Expulsos pela polícia – pelo simples fato de que já tinham apagado as luzes mas ainda estávamos lá, calma! –, resolvemos continuar as conversas na Lockhart Road, cheia de bares e algumas baladas. Já desencanado de dormir, e resolvendo aproveitar de uma vez por todas, fui levado até Lan Kwai Fong. Muita gente na rua, música alta pra todos os lados… Era véspera de feriado, então todo mundo só pensava em aproveitar. MAS, naquele dia, o cansaço era muito grande e acabamos resolvendo esperar por algum táxi que pudesse nos levar até o hotel para, enfim, descansarmos.

Mas não para por aí! Calma. :D

O dia seguinte começou, claro, umas 16h30. Um descanso merecido e uma ideia que fazia bastante sentido já que, como disse, Hong Kong é mais bonita à noite. Comemos no Din Tai Fung, um restaurante especializado em dumplings e o que eles chamam de “comidas pequenas”. Se fosse na Espanha, seriam tapas; no Brasil, beliscos. Sabe? Enfim, anote esse nome porque é impressionante o como é bom: TUDO. Até o atendimento, em inglês. ;D

Devidamente alimentados, hora de subir de novo: dessa vez para o Victoria Peak. Há muitas coisas pra se fazer lá, mas nós fomos direto ao mirante pra ver a cidade toda iluminada – e linda – de cima. O vento não ajudou muito no clima, mas é uma daquelas coisas que você TEM de fazer, sabe? :)

A noite terminou no The Upper House, um bar/restaurante /biblioteca (!!!!) que fica no 49º andar de um prédio comercial no centro de Hong Kong. Quem nos levou até lá foi o Kurt, um hongkonger sensacional que conhecemos e que deu diversas dicas sobre a cidade, além de explicar muito sobre a língua, os “desenhinhos” (ideogramas), como se diz “oi” e “tchau”. Lá é um lugar lindo e que pouca gente conhece. Valeu, Kurt! :D

No dia seguinte fui dar um “oi” para o Tian Tan Buddha logo cedo. Depois de 40 minutos de ônibus morro acima, subi uma escada na qual cada degrau me dizia, bem baixinho no ouvido, que queria destruir meus joelhos; mas, novamente, o Cara parece que resolveu interceder por nós. Descobrimos que, com o equivalente a US$ 8, conseguiríamos não pegar uma fila de mais de uma hora do teleférico para descer e ainda teríamos o chão de vidro pra olhar tudo melhor e mais bonito. Comi um espeto de porpeta de Chocos (uma espécie de Lula), tirei uma foto com uma sul-africana que achou legal eu fazer caretas pra fotos, conheci o Temple Street Market (a versão LIVE ACTION do site DealExtreme) e lá fomos de volta pra Lan Kwai Fong.

Dessa vez, num anfiteatro. “Oi?”. Sim, exatamente. Ao final de uma rua, um lugar com arquibancadas é chamado de anfiteatro por todos que lá frequentam. Todo mundo senta lá, bebe, come… E, dependendo da nacionalidade, se prepara para o que está por vir. Alguns se contentavam em estar lá e ir embora depois; acompanhado de vários espanhóis, era só o começo. De lá, seguimos para o meio da rua, onde comecei a perceber o quão legal era aquele lugar: as baladas colocam o som pra fora, de modo que a pista é o asfalto e você desce ou sobe a rua atrás do que mais te apetece. Se quiser entrar de graça, não tem problema. Se não, vai ali numa 7-Eleven (elas existem AOS MONTES em Hong Kong!), compra o que quiser e se diverte.

E foi o que eu fiz por duas noites seguidas com, além de espanhóis, franceses, coreanos, noruegueses e até mesmo um sueco muito famoso – ou alguém parecido com ele. ;D

Em resumo: Lan Kwai Fong é o lugar pra se ir em Hong Kong. Sem se preocupar com que roupa vestir ou o quanto vai gastar de ~consuma~. Você conhece gente de TODO O MUNDO, dá risadas, bebe umas coisas nunca antes imaginadas e… Enfim. Uma cultura totalmente diferente de tudo o que eu conheci, meio que baseado na necessidade. Com tanto gringo por lá trabalhando e com os chineses sendo tão fechados, era necessário que alguma coisa assim acontecesse. E é sensacional. :)

Em Hong Kong, também aproveitei pra conhecer o Museu de História, que conta como Hong Kong surgiu, desde o início dos tempos até os dias de hoje; conheci um daqueles mercados em que vendem peixes e outros animais vivos; comi carne de pato e me despedi da cidade com uma garotinha envergonhadíssima, no metrô. Seu avô queria que ela me dissesse “Ni Hao”, mas ela só se escondia. Ele ria, adorando ver aquilo, feliz de estar com aquela criança.

Foram poucos minutos, mas um daqueles momentos inesquecíveis. Eu já fui aquela criança. Até hoje sou um pouco tímido, querendo me esconder na hipótese de qualquer contato social. Mas, bem ali na terra dela, me diverti e conheci um monte de gente… Tô falando que tô mudando! Será que é culpa da virada dos 30 anos ou um resultado dessa Volta ao Mundo me fazendo passar, em tão pouco tempo, por tantas culturas diferentes?! Certamente, daqui a um tempo, eu que darei risada da minha neta se escondendo enquanto peço pra ela dizer “oi” para as pessoas. :)

唔該, Hong Kong! Até outro dia. ;)

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DESTINO #6: DOHA VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

Bom, eu deveria começar com alguma saudação árabe. Mas assim, o “Oi!” no Qatar é “مرحبا”. Eu não faço ideia de como é que se lê isso e, tentando repetir, nunca consegui chegar perto do correto… A sorte é que Doha é uma daquelas cidades absolutamente internacionais, onde TUDO está em inglês e, mesmo que falem pouco ou com uma pronúncia ruim, todos se comunicam in English (é meio que o Esperanto do mundo contemporâneo) — ou é assim ou vai ser difícil aproveitar todo o mundo de Negócios que está vindo pra cá nos próximos anos.

Sim, vindo. Doha é uma cidade em construção. O aeroporto, que será desativado e trocado por um outro extremamente luxuoso, estava com diversos grupos de trabalhadores chegando e, nos fins de tarde, é bastante comum ver vans e ônibus cheios deles voltando para suas casas. Onde quer que você olhe vai encontrar guindastes, tratores, desvios e obras — seja em qual lado da cidade estiver.

Eu, devo confessar, estava com bastante medo do que iria encontrar. Não sabia muito mais do que vemos por aí sobre a cultura islâmica, sempre com o peso dos ocidentais no ombro. Fica difícil discernir as coisas, entendê-las e até mesmo aceitá-las.

Porque é aquela coisa: a Europa, por mais NOVA que tenha sido pra mim, tem muito a ver com a minha cultura, com o que eu conheço. Um país como Qatar, que agora está se abrindo para o mundo todo, é surpresa atrás de surpresa e dá até um certo medo –  que se vai rapidinho – ao perceber que não há razão pra temer qualquer coisa por lá. Você pode sim falar com mulheres, que podem sim andar com os ombros a mostra… Cada um na sua, sem ninguém encher o saco de ninguém. Como deveria ser em todo o mundo, aliás…

Por exemplo, no FANAR — o centro cultural Islâmico do Qatar — fomos recebidos por Abdullah, que nos deu livros em inglês explicando a base do Islamismo e nos serviu um chá, enquanto falava da cidade e fazia QUESTÃO de dizer que éramos bem-vindos naquele lugar.

As mulheres usam burca lá, daquelas que mostram os olhos — a não ser que o vento não as traia, mostrando saltos ALTÍSSIMOS, leggings e maquiagens. É uma questão cultural. Os homens também usam suas túnicas brancas… Eu, minha bermuda, minha camiseta e meu chinelo estávamos bem por lá, mas éramos, CLARAMENTE, de fora. Nenhum problema quanto a isso — ainda mais dependendo de onde você estiver.

De um lado da baía, aqueles prédios enormes, cheios de vidros, lindos, iluminados e recheados de gente de todo o mundo. Construções planejadas no meio do mar e dinheiro, MUITO dinheiro. Do outro, a Doha mais real, mais árabe, que praticamente se concentra no Souq Waqif. Sabe aqueles mercados que se vê na TV, que vendem de tudo (tipo POMBAS) e a cada rua que você entra parece que está indo pra outro mundo? :D

O Souq Waqif é antigo e chegou a ficar fechado por muito tempo. No começo, os locais e beduínos se encontravam pra vender seus produtos — cabras, peixes etc; em 2006, com o início da modernização de Doha, que vai culminar com a Copa de 2022 — que eles já estão empolgadíssimos em divulgar — o mercado foi reaberto, com hotéis e várias lojas – das mais tradicionais às mais feitas “pra turista ver”, cheias de ímãs e outros souvenires, além de restaurantes e cafés. É o grande centro de Doha, onde se encontra gente de todos os lugares e culturas — e que funciona basicamente à noite. O que é ótimo, porque COMO É QUENTE aquele lugar!!!!!

Lá você encontra a Shisha, que é tipo um cigarro com sabor, ainda que sem tanto tabaco (que eu experimentei e parecia que estava tomando um chá de fumaça, mas até que era gostoso) em TODOS OS LUGARES; também encontra comidas de países da região, além das locais mesmo, como no lugar em que comi a comida árabe de verdade, com direito ao que nós chamamos de pão-sírio, assado na hora. Delicioso e muito, muito, muito barato. :D

Um ótimo lugar pra comer, sempre. Homus, te amo!

Mas é só por lá. Do outro lado da cidade foi muito difícil encontrar esse tipo de comida, que é chamada por lá de saudável, espremida entre grandes redes de fast food mundiais. Uma pena. :(

Do lado “ocidental” da cidade, porém, fica a State Grand Mosque. Visitamos no fim da tarde e, com aquela luz, aquele silêncio… Foi uma das coisas mais bonitas que vi nessa Volta ao Mundo oneworld. Dentro e fora. Novamente, estava morrendo de medo de entrar e tudo mais, mas, mais uma vez, fui muito bem recebido. É só respeitar… E, cara, não é nada difícil fazer isso.

Doha é um bom lugar pra se contemplar. Seja a skyline, com os prédios iluminados à noite; seja o céu, mais amarelado, mais embaçado, por conta da areia — que até forma uma linha no horizonte, como aquela que temos de fumaça, em dias secos em São Paulo.

Por isso mesmo aproveitamos o segundo dia por lá pra ir até o deserto. Farooq nos buscou no hotel. O tempo todo ele foi dizendo que só queria que curtíssemos a viagem e nos levou até as dunas, onde fez diversas PERIPÉCIAS. Até nos levar para a praia, sempre parando um pouco pra que pudéssemos olhar e experimentar aquela brisa e uma areia com uma temperatura muito boa, permitindo que ficasse descalço o tempo todo. O mar, o sal, as dunas se formando e deformando… Deu pra ver até a Arábia Saudita. :)

Repito, sem medo de parecer redundante, mas foi uma das coisas mais bonitas que vi em toda essa viagem — e, também, uma das experiências mais singulares de toda a minha vida! Não sei quando é que terei novamente a chance de passar um dia no deserto e terminá-lo na praia, olhando as estrelas — que só não estavam mais visíveis por conta das refinarias ali por perto, que iluminam demais.

Doha foi uma nova experiência, completamente fora de tudo o que já conheci. Mas, ao mesmo tempo, uma cidade que ainda está se construindo, que ainda está se preparando pra receber todo o mundo. Em alguns anos, será totalmente diferente do que eu vi nesses dias — e espero que o foco da região não seja só no trabalho ou religião. Talvez seja uma ótima razão pra voltar.

Isso e, é claro, o deserto do Qatar. <3

Agora quando eu chamar por vocês, vai ser de lá da nação mais populosa deste planeta – vejo vocês em Hong Kong.

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DESTINO #5: LONDRES VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

Oi! (Sim, os ingleses falam “Oi”, do mesmo jeito que a gente… Não necessariamente pra cumprimentar, porém, é pra chamar à atenção, tipo o nosso “ei”) London Calling! Última parada pela Europa e muita, muita pressão. Afinal, é Londres. A capital do país que nos deu 99,9% de toda a música boa que escutamos, a terra da Rainha, o local onde começou a história do Sport Club Corinthians Paulista… Expectativas, muitas expectativas. E sabemos como isso termina, né?

A primeira noite na cidade foi uma das mais divertidas de toda essa volta ao mundo. Fomos até Brick Lane, outro daqueles “points da juventude”. Era domingo, e a galera domina as ruas daquela região da cidade – nos bares, lojas, baladas e até no mercado que, infelizmente, não conseguimos pegar aberto.

Nesse dia, enquanto bebia uma cidra no meio da rua (sim, aqui cidra é uma bebida legal, ok!), conheci o Ed, um inglês que estava passando, ouviu a conversa em outra língua e resolveu participar. Conferiu que eu era mesmo brasileiro, brindamos o futebol e demos várias risadas numa esquina qualquer.

Foi nesse dia também que conheci o Beigel Bake, uma loja que fica aberta 24h fazendo diversos pães e os famosos “beigels” que, aqui, podem ser sanduíches também. E são vários: doces, salgados… Mas o melhor – DE TUDO O QUE VI NESSA CIDADE! – foi o de Hot Salt Beef. Sem expectativa nenhuma, de surpresa, num lugar escondido… E. QUE. DELÍCIA!!!! :D

Foi nessa noite também que tive a minha primeira experiência com o Underground, o metrô londrino, que tem um peso enorme na cultura da cidade. Foi lá que eu descobri (e adorei!) que ainda existem jornais vespertinos que, assim como os matutinos, são distribuídos de graça nas estações (e encontrados para “reciclagem” nos bancos dos trens, caso alguém não tenha pegado antes), garantindo leitura pela viagem, informação… Porque sim, eu mal tenho visto sites de notícias nessa viagem toda e aproveitei meus dias pela cidade pra me informar com os dois jornais, de manhã e de tarde…

No dia seguinte, comecei a conhecer a Londres que todo mundo fala por aí. Aquela fleuma, aquela realeza, Tower of London, Tower Bridge, Big Ben, Parlamento, troca da Guarda na frente do Palácio de Buckingham (com policiais piadistas, dançarinos, cantores e divertidos), Picadilly Circus (que é tipo uma Times Square britânica), cabines telefônicas vermelhas, o local onde foi feita a foto de capa de Ziggy Stardust, Wembley, musicais (assisti a “We Will Rock You”, uma espécie de Matrix, só com músicas do Queen, que me fizeram chorar como uma criança), pubs, Leicester Square (a área “cinematográfica” da cidade), Plataforma 3/4, Camden Town.

E foi em Camden Town (outro ”point da juventude”) que, atrás do famoso Fish & Chips, conhecemos o Poppies, que ganhou prêmios e mais um monte de coisa por conta do prato. Nesse lugar conhecemos a Emma, a “Poppette” francesa que se escalou pra participar da Volta Ao Mundo oneworld com a gente, e o Halis. Era um lugar TÃO legal, tão autêntico, com uma comida TÃO BOA, que resolvi pedir pra que eles deixassem a sua marca no nosso aviãozinho.

Próximo a Leicester Square, no Fitzgerald Tavern, encontrei o Jon – outro amigo que conheci junto com a Bettina e a Cristina, em Londres, há alguns anos. Ele tem exatamente o mesmo trabalho que eu: o site HeyUGuys.co.uk é um site parecidíssimo com o Judão, e temos o incrível bom gosto por White Russians, também. Ele me contou que nessa Taverna, aberta no século 19, muita coisa rolou por ali, já que sempre foi frequentada por escritores, atores, músicos… Como o próprio Jon nos disse, lá era a Londres de verdade.

E é um fato: a Inglaterra parece os EUA. Muito! Ou seria o contrário? (hehehe!) Tanta correria, tanto stress, tanta gente dormindo em pé no metrô (literalmente) , tanto pensamento em trabalho… Um contraste assustador com o ritmo que vi em Berlin e Madrid, por exemplo.

Foi em lugares específicos, como essa taverna, o Poppies e The Windmill, onde comi as tradicionais Shepherd’s Pie (que é uma espécie de escondidinho inglês) e a torta de carne e fígado (deliciosa, apesar do fígado) ou em Salisbury – uma cidade mínima perto de Londres, onde fica Stonehenge – que eu senti que estava na Inglaterra EUROPEIA… Essa parte londrinha que todo mundo “conhece” e acredita que é “a Londres de verdade” é um pouco mais do mesmo pra quem já conhece os Estados Unidos. Claro que fiquei feliz de ter tido a chance de conhecer esses lugares mais “tradicionais”, mais londrinos de fato, mas quero voltar e ver muito mais coisas, inclusive um jogo de futebol, no país onde o esporte surgiu.

Mas agora deixo esse Novo Velho Mundo pra trás e parto pra algo absolutamente desconhecido, um OUTRO mundo: Doha no Qatar. See ya, mate!

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DESTINO #4: BERLIM VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

por: Thiago Borbolla

Hallo! Mas que língua difícil tem esse país! Me pareceu inteligente na hora de formar palavras, mas é pra deixar a cabeça doendo quando a gente vai tentar entender ou falar. A sorte é que, pelo menos em Berlim, todos falam inglês.

Quer dizer, não todos faaaalam inglês, mas todos entendem o NECESSÁRIO. E se começar com “Hallo”, que é o “oi” deles, e terminar com “Danke”, o “obrigado”, já demonstra que pelo menos você se preocupa com isso. Porque uma das coisas que mais gosto de fazer quando viajo (e já falei isso aqui), é entrar de cabeça na cultura local – é claro que a língua faz parte disso.

Sabendo começar e terminar uma conversa pelo menos, você já faz com que os ‘berliners’ sejam um pouco mais simpáticos com você. Não que não sejam normalmente, mas… Sabe? Um vendedor de milk shakes, no parque montado atrás dos Portões de Brandenburgo, até ensinou a dizer que tava gostoso… Mas eu não consigo lembrar. Como disse: QUE LÍNGUA DIFÍCIL!!!!

Além de como se comunicar e conseguir ao máximo enxergar aquele lugar como um morador local enxerga, a comida talvez seja a maior UNIDADE cultural dos lugares. Na Argentina é o churrasco (com destaque pra Pizza!), nos EUA é o hambúrguer, na Espanha são as “tapas” e na Alemanha é o famooooso salsichão. Na realidade, eles são muito de carne de porco em geral, inclusive o joelho do bicho, mas o tal salsichão, servido de diversas maneiras… Que delícia que é aquilo.

Numa feira, perto de Alexanderplatz, experimentei o hot-dog deles – que é com um pão mais crocante e uma salsicha que caberia em mais outros dois pães, delicioso; no jantar, naquele mesmo dia, mas num bar do centro, experimentei o famoso Currywurst, que é um salsichão com molho curry e batatas fritas. Mas não as batatas que você tá acostumado. Essas são AS batatas fritas. :D

O joelho de porco ficou pra quando eu voltar, mas não foi a última coisa do bicho que comi. No dia seguinte, a Renata, brasileira que mora em Berlim já há algum tempo, me levou no Markthalle Neun, que fica em Kreuzberg, um bairro que está se tornando o ~POINT DA JUVENTUDE~ (e eu ao escrever isso perdi oficialmente o direito de frequentar).

É um lugar muito legal, que quase só moradores da região conhecem e frequentam. E é mais ou menos como um Mercadão ou uma enorme praça de alimentação – o que, aliás, quase todos os restaurantes de Berlim são (mas sobre isso falo depois) – no qual você pode comprar cerveja num canto (e levar o copo por €1, ou devolver e receber esse valor de volta), um doce em outro e, o que eu fiz, um lanche de carne de porco desfiada com rúcula. Rapaz… :D

Depois a Renata me levou até o Spreepark, que fica dentro de um outro parque, o Treptower Park. O Spreepark é um parque de diversões aberto nos anos 60 que recebia muitos visitantes; mas com a unificação das Alemanhas acabou ficando esquecido, esquecido… Até que foi fechado. Como há uma “lei” que impõe que até 2061, naquele lugar, só pode existir parques (não há a opção de construir um prédio, um shopping, ou sei lá), os donos simplesmente abandonaram do jeito que está.

O mato tomou conta, o tempo fez o seu trabalho… E o Spreepark é um lugar bizarramente bonito. Hoje em dia eles exploram com um trenzinho, que dá uma volta por todo o parque, custando €2, e alguns bares e até uma área com coisas pra crianças. Mas não é sempre que está aberto, e especialmente no frio, o lugar ganha ares assustadores, com tanto silêncio e barulhos que o vento faz. “Vento”… :D

O Spreepark também é um sinal do que é Berlim. Um enorme resumo. Uma cidade que foi o centro de tanta coisa ruim, mas que faz questão de esfregar na própria cara esse passado pra poder seguir em frente. Por exemplo: há o Topography of Terror, um museu a céu aberto num lugar que junta um pedaço do Muro de Berlim praticamente intacto e bunkers usados pela Gestapo pra contar toda a história – e o Terror – do Partido Nazista, o período em que Hitler esteve no poder, a Guerra e a separação da cidade e do país. É muito, muito triste. Ao mesmo tempo é lindo ver como eles fazem questão de não esquecer nada pra se tornar um povo melhor.

E isso está em cada ponto. O senso de comunidade é MUITO forte na cidade. De comunidade e liberdade. O metrô, por exemplo, não tem catracas – e todos compram seus ingressos normal e honestamente; não há escadas rolantes e nem nada que te faça ficar parado; não há um horário limite para as coisas terminarem – há festas começando às 5h da manhã; pessoal pode comprar cerveja no metrô e beber pela rua, como se fosse um copo d’água.

Nos restaurantes geralmente existem mesas e bancos enormes, pra todo mundo sentar junto (e, se quiser, conhecer pessoas de todos os lugares do mundo); nada por lá é muito caro… E por aí vai. Os exemplos estão em todos os lados. A cidade não esconde aquilo de ruim pelo que passou e enfrenta isso de cabeça erguida.

Se Madrid me surpreendeu por ser um mundo completamente novo, Berlim se mostrou o mundo IDEAL. Eu não sei como é o país politicamente, e nem é o que me interessa agora. Mas Berlim me fez enxergar coisas que eu jamais pensava que existiriam.

Essa cidade mudou e agora está me fazendo repensar muito da minha vida.

Vielen danke, Berlin.

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DESTINO #3: MADRID VOLTA AO MUNDO ONEWORLD

 

por: Thiago Borbolla

Hola tíos! Que pasa? Tudo bem por aí? Cheguei em Madrid e foi a primeira vez que coloquei meus pés na Europa, vindo diretamente do país que resume boa parte do que nós conhecemos da América. “Hóstia”, quanta diferença!

As ruas pequenas – ou melhor, as ruas MÍNIMAS, monumentos pra onde quer que você olhe (sabia que, quando há uma pessoa sobre um cavalo, a posição do bicho demonstra como ela morreu? Se de causas naturais, heroísmo, em batalha…), praças enormes e escondidas, paralelepípedos e uma sensação enorme de comunidade. Em todos os cantos possíveis.

Acho que é exatamente nisso que a Europa se baseia, hoje, né? :)

Eu não sabia o que esperar quando cheguei por aqui e fui me surpreendendo em cada ponto. Desde os mais recheados de turistas aos mais escondidos entre os madrileños – pontos esses que se misturam o tempo todo. Num segundo momento você está na Plaza Mayor, recheado de gente do mundo todo e, dependendo da saída que escolhe, acaba numa ruazinha mínima, apertada, silenciosa… E linda!!!

E como essa tal de Europa é linda! Oh, España… :D

Meu primeiro dia na cidade começou muito bem, depois de uma siesta no hotel para descansar das mais de 12h em trânsito. A primeira coisa que comi por lá foram Huevos Rotos con Jamón – um tipo de presunto com ovos fritos. Mistura tudo (acompanhado de um belo “pan”, claro!) e que coisa deliciosa! Como é considerado petisco, quase todos os lugares da cidade vendem isso e é muito, muito barato, algo que me chamou a atenção.

Andando por toda a região central da cidade, passei pelo antigo Palácio Real da cidade, um monumento lindo a Miguel de Cervantes – com Dom Quixote e Sancho Panza – depois o Senado, o Marco Zero e, fugindo da chuva, encontrei um bar que vende até Velho Barreiro. E essa é mais uma característica da Europa: onde quer que você coloque os pés, vai ter sempre ALGUMA COISA a mais. Nenhuma loja é só uma loja, nenhum bar é só um bar… Tirando aquelas coisas que são 100% pra fisgar turista: nessas — em TODAS — há alguma menção ao futebol.

Assim como Buenos Aires, Madrid respira o esporte – com o Real e o Atlético mais do que bem nessa temporada – e em TODAS AS ESQUINAS há bufandas (que são aquela espécie de cachecol largo), camisas originais e falsificadas… De tudo quanto é time, claro. Cheguei a ver mais camisas do Messi que do Cristiano Ronaldo no centro da cidade, mas este cenário mudou, claro, quando fui conhecer o gigantesco estádio Santiago Bernabéu.

De longe já parece grande, mas, dentro, com o tour – que começa depois de mais de 5 lances de escada rolante – é inacreditável!!! E lindo! Absolutamente lindo – o que, com a trilha sonora de Plácido Domingo, só ajuda a dar um ar mais épico a tudo aquilo. Da sala de troféus aos vestiários, passando pelo gramado e, claro, a loja oficial. Ouve-se o tenor e vê-se Cristiano Ronaldo em todas as partes.

Do outro lado da cidade, porém, os madridistas ficam longe. Adesivos já dão as “boas vindas” a eles no entorno do Vicente Calderón, o estádio do Atlético. Não havia tour, só mesmo uma loja oficial enorme. Mas foi legal poder visitar mais esses dois templos do futebol, algo que essa viagem está me permitindo fazer. Fui até lá com a Cristina, uma vlogger que conheci em Los Angeles, três anos atrás, que se auto-denominou “la peor guía de Madrid”. Ela me levou a um café que gosta muito de ir, e que é quase um esconderijo no meio da Plaza de España, me apresentou uma “cerveza con limón” e me acompanhou em muitas dessas andanças. Gracias, Cristty! :)

É incrível o que essa Volta ao Mundo oneworld começa a fazer comigo a partir de agora: me mostrar um Novo Mundo. E é surpreendente. Como brasileiro, enxergo tudo isso, toda essa história, tudo que está a meu alcance como algumas das coisas mais modernas que se pode ter, ver e sentir…

Engraçado é que tem gente que chama isso de Velho Mundo…  ;)

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